Percorrer o concelho é perceber como se organiza a vida sob o signo da água. A água que escava os montes, alaga os campos, fertiliza as várzeas.
Entre a Serra do Sicó e os campos do Mondego, banham-no o Anços, o Arão e o Arunca, subafluentes do Mondego. E, junto dos rios, os terrenos de aluvião e os pântanos. Mas são ainda enfiadas de colinas. A 10 metros de altitude, instalou-se Soure. Contudo, é preciso chegar ao monte do Rabaçal 532 metros e 551 para chegar ao monte do Sicó, na aridez inóspita da paisagem da serra da qual Miguel Torga disse "desolada de paredes ressoantes de olivais mirrados e carrasqueiras agressivas".
O relevo da região é corolário da permeabilidade dos calcários. E a água que corta, punge a pedra, perfura-a e fragmenta-a. Infiltra-se e dá lugar a algares, grutas e correntes subterrâneas que se poderão relacionar com o fenómeno de Alcabideque e outros. Na vertente leste da serra do Rabaçal a enorme caverna, com mais de 100 metros, a que o Povo chama a Cova da Moura, testemunha estes caprichos da natureza. Às colinas deu o tempo a suavidade e adoçou-lhe os contornos. Mais ou menos circulares, mais largas que fundas oferecem-se em forma de funil ou pião e estão na origem de algumas povoações como Quatro Lagoas.